A série inédita Antes que a última folha se torne apenas memória de luz (2025) da artista multimídia, mestra e doutora em Artes Visuais Andrea May também conhecida como May H.D., nascida e criada em Salvador (Bahia), traz um combinado entre representações pictóricas originais em pinceladas ásperas de tons sombrios e composições digitais visualmente ruidosas.
Aqui a pintura é o gesto inaugural e o digital é o rastro — pigmentos que se desfragmentam, folhas que se transformam em lampejos de memória e cada obra parece fixar o instante em que a natureza se torna lembrança.
Antes que a última folha se torne apenas memória de luz, há um instante de suspense. É nesse breve intervalo que a imagem vira vestígio e, na tradução intersemiótica pelas tecnologias, códigos corrompem a materialidade na deterioração das formas e cores.
Ao desmontar a linearidade dos territórios, a artista busca reconstruir caminhos possíveis entre o orgânico e o sintético, entre o sensível e o programado — não como forças antagônicas, mas como núcleos coexistentes que se conectam, dialogam e se fortalecem mutuamente. A coleção de obras nos apresenta a desconstrução como um gesto político ao romper com a ideia da paisagem harmônica lhe atribuindo potência caótica a partir do erro intencional (glitch-alike aesthetic) num processo de revisão do mundo a partir dos seus próprios ruídos.
Setembro 2025